O diagnóstico de uma doença neurodegenerativa, progressiva e incurável não foi suficiente para roubar a alegria de viver e a esperança da cearense Glaucia Pontes, de 53 anos. Exemplo de superação, a procuradora do Município de Fortaleza tem a Síndrome Pós-Pólio (SPP).

A doença acomete pessoas por volta dos 40 anos que, pelo menos 15 anos antes, foram infectadas pelo vírus da poliomielite e desenvolveram uma forma aguda ou inaparente da doença. Os principais sintomas são: fraqueza muscular intensa, fadiga aguda, perda de força em consequência do fenecimento progressivo dos neurônios, falta de ar, depressão, dores crônicas e dificuldade de deglutição.

Com 25 anos dedicados à carreira de procuradora, Dra. Glaucia conta que reúne forças no dia a dia e mostra como transformou a dor e o preconceito em conquistas de vida. Ela relata que descobriu que tinha a síndrome aos 48 anos. Ela contraiu poliomielite quando tinha apenas um ano. “Confesso que, no início, com minha carreira, a dor foi incomensurável, porque o trabalho era a minha vida. Mesmo depois de diagnosticada e já com uso da cadeira de rodas, passei quase um ano tentando trabalhar e a dificuldade foi se manifestando porque surgiram dores intensas após a jornada de trabalho. O rendimento estava caindo assustadoramente porque a doença atinge a cognição, porém, quando surgiu a necessidade do respirador artificial, os médicos concluíram pela licença médica para tratamento”, conta a Dra. Glaucia.

A incidência e a prevalência da SPP são desconhecidas no Brasil e no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima a existência de 12 milhões de pessoas em todo o mundo com algum grau de limitação física causada pela poliomielite. Por isso, Dra. Glaucia  Pontes precisou procurar ajuda em São Paulo. “Quando o neurologista de Fortaleza cogitou a síndrome e disse que não trabalhava com a matéria, ele afirmou que somente existia um médico e era de São Paulo, o doutor Acary Sousa Bulle Oliveira. Infelizmente, até hoje, os estudos concentram-se em São Paulo e os médicos dos demais estados e de outros países tomam conhecimento pelos próprios pacientes que, graças aos sistemas de comunicação, em especial as redes sociais, conseguem trocar experiências e conhecimentos”, diz.

Com o objetivo de tornar a síndrome mais conhecida pela sociedade e ajudar outras pessoas que passam pela doença, a procuradora criou na rede social Facebook um grupo chamado “Mulheres SPP”. “Tive a ideia de compor um grupo de mulheres que tivesse a síndrome, depois estendemos aos familiares de pessoas que não pudessem participar, sempre resguardando o requisito de ser mulher. Somos em 661 o número de membros e temos uma extensão do mesmo grupo no whatsapp, onde discutimos este e outros assuntos. Consideramos o riso, a distração e a divisão de experiências pessoais uma forma de terapia para evitar a malfadada depressão”.

Além do grupo, a procuradora escreve poemas e posta na sua página pública do Facebook, chamada “Ecos de uma vida”. Ela também escreve artigos para o portal de notícias “Luiz Vanderlei Rodrigues”, que aborda temas importantes ao segmento de pessoas com deficiências e inclusão social.

Glaucia Pontes é também escritora. Ela lançou o livro “A aposentadoria e o servidor público”, da Editora Premius, que traz uma prévia do histórico do Direito Previdenciário no serviço público em geral, inclusive com visão crítica do atual momento.

Em meios às dificuldades, a procuradora vai trilhando o seu caminho de superação e construindo sua história, deixando marcas de amor e de luta, com a força das palavras, o coração cheio de sabedoria, esperança e fé em Deus, traduzindo toda sua trajetória em ricos poemas e mostrando que apesar dos problemas, a vida e o sofrimento são uma dádiva divina.

SOFRIMENTO

“Quando Deus te convocar ao sofrimento, declina tua cabeça, entrega tua alma à subserviência, aceita como uma dádiva divina e saiba que esta escolha será o caminho que te levará à santificação.
Que a dor jamais te seja motivo de revolta, não queira impor a Deus o teu querer, não insista em questionar os porquês destes revezes, apenas ore para ultrapassar os obstáculos sem imposição.
Saiba que o sofrimento é o esmerado instrumento de lapidação da alma, que todo ser humano carece de uma dose de dor para instigar o crescimento espiritual e que Deus tem a porção exata para cada pessoa.
Enfim, envolva teu fardo na confiança absoluta do amor de Deus e sentirás que tudo estará mais ameno e que o átrio do Senhor é o melhor hospital para a cura alma, o que exceder será lucro rumo ao céu.”

Glaucia Pontes

 

Para conhecer outros poemas da procuradora Glaucia Pontes basta acessar: https://www.facebook.com/galpontes52/

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